Um dia após demolições em Rio das Pedras , construções e vendas de imóveis irregulares continuam

Apesar da demolição de mais de 130 residências e lojas irregulares, na terça-feira (10), na comunidade de Rio das Pedras, os imóveis ilegais continuavam a ser comercializados normalmente. Flagrantes feitos nesta quarta-feira (11) pelo RJ2 mostram que, na Zona Oeste, a milícia segue construindo e negociando normalmente.

Em bairros como Muzema, no Rio das Pedras e no Anil e na Colônia Juliano Moreira, o mercado é clandestino, mas os anúncios vêm sendo feitos de forma pública.

É possível achar as construções com detalhes em páginas de internet, onde há fotos e contato. Apesar da proibição, não há constrangimento por parte dos vendedores em reconhecer a ilegalidade dos imóveis.

é possível ver a naturalidade da negociação.

  • Vendedor: “Lá é quarto, sala, cozinha e banheiro.”
  • Repórter: “E tem documentação?”
  • Vendedor: “Sim, você faz no cartório e na associação. Aí fica a seu critério”.
  • Repórter: “Na prefeitura não tem nada não?”
  • Vendedor: “Não, na prefeitura não.”
  • Repórter: “Nenhuma certificação, bombeiros, RGI, Habite-se…?”
  • Vendedor: “Não, não.”

Um morador que prefere não se identificar afirma que a fiscalização passa pelas obras, mas que nada acontece. Os responsáveis pelas obras se escondem momentaneamente e, assim que a fiscalização termina, voltam a trabalhar. E os prédios seguem subindo.

Perigo iminente na Muzema

Na Muzema, as construções irregulares apresentam, de acordo com peritos, perigos graves a quem vive no local.

Os engenheiros que fizeram o laudo a pedido da prefeitura afirmam que os prédios foram construídos sem técnicas apropriadas e que os erros de projeto e execução são tão graves que mesmo profissionais inexperientes poderiam ver problemas nas obras.

“Todos os prédios objeto dessa inspeção foram construídos sem técnicas apropriadas, tanto na parte de fundação como estrutural. Os erros de projeto e execução das fundações são tão absurdos que qualquer engenheiro civil com pouca experiência poderia condenar tais obras”, diz um trecho do laudo.

Chuvas fortes são especialmente perigosas para a área, onde, em abril do ano passado a força das águas já derrubou dois prédios, matando 24 pessoas.

A prefeitura afirmou que vai se pronunciar sobre o caso da Muzema. Sobre a venda de imóveis pela milícia, afirmou se tratar de um assunto de polícia. A Polícia Civil afirmou que a investigação está em sigilo.

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